O II Encontro da Agricultura Familiar, Povos Tradicionais e Economia Solidária do Piauí sediou uma palestra fundamental com um dos mais renomados especialistas brasileiros em combate à desertificação e adaptação às mudanças climáticas. Alexandre Pires, diretor de combate à desertificação na Secretaria Nacional de Povos e Comunidades Tradicionais e Desenvolvimento Rural Sustentável (SNPCT) do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), foi o palestrante central do seminário “Mudanças Climáticas e Agricultura Familiar: Soluções Práticas para um Campo mais Resiliente”. A atividade, realizada em 4 de julho, das 9h às 12h, no Cineteatro da Universidade Federal do Piauí (UFPI), reuniu gestores públicos, representantes de institutos e especialistas, com o objetivo de fortalecer a cadeia produtiva rural frente aos crescentes desafios climáticos. O evento foi parte integrante da III Feira da Agricultura Familiar, Povos Tradicionais e Economia Solidária do Piauí, que aconteceu de 1º a 4 de julho, no Espaço Rosa dos Ventos, também na UFPI, em Teresina.
Alexandre Pires e o programa Recaatingar: Estratégias para um Semiárido Resiliente
A presença de Alexandre Pires no Encontro sublinhou a urgência e a relevância das discussões sobre sustentabilidade e resiliência no campo. Pires, biólogo de formação e mestre em Extensão Rural e Desenvolvimento Local pela Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), possui vasta experiência em ações voltadas para o acesso à água, recuperação ambiental, agroecologia, segurança alimentar e convivência sustentável com o Semiárido brasileiro. Sua trajetória inclui contribuições significativas para a formulação de políticas públicas focadas na adaptação climática e no desenvolvimento rural sustentável, tornando-o uma voz autorizada em um tema tão crítico para o Piauí e para todo o Brasil.
Detalhes do programa Recaatingar: Metas e investimentos
Durante sua palestra, Alexandre Pires detalhou o programa Recaatingar, uma iniciativa lançada em 10 de junho pelo MMA, com foco prioritário na recuperação socioprodutiva de terras degradadas. O Recaatingar estabelece a ambiciosa meta de recuperar 10 milhões de hectares de terras degradadas nos próximos 20 anos. O objetivo principal é não apenas reverter a degradação ambiental, mas também fortalecer a capacidade de produção agrícola, ampliar a oferta de alimentos e restaurar as fontes de água naturais. Segundo Pires, essa abordagem visa apoiar diretamente as populações que dependem do bioma Caatinga para sua subsistência, oferecendo-lhes condições para uma vida mais digna e produtiva.
O programa Recaatingar é impulsionado por um edital lançado em conjunto pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e pelo Banco do Nordeste, que disponibiliza R$ 60 milhões em recursos. Esse investimento substancial tem como propósito fortalecer comunidades vulneráveis, valorizando a agricultura familiar, promovendo a recuperação de terras e facilitando o acesso à água. As ações do programa se concentram, prioritariamente, no apoio a iniciativas de agricultores familiares, assentamentos de reforma agrária, povos indígenas e comunidades quilombolas, além de outros povos tradicionais. A seleção dos projetos ocorrerá em municípios com alta gravidade de degradação, privilegiando o uso de tecnologias sociais, práticas e metodologias comprovadamente eficazes para a recuperação do bioma. Além de Alexandre Pires, o seminário contou com a participação do representante do Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA) e do Diretor de Prevenção e Mitigação da Defesa Civil Piauí, Werton Costa, enriquecendo o debate com diferentes perspectivas sobre a resiliência climática.
Uma feira de conhecimento, intercâmbio e cultura para o Piauí
O II Encontro da Agricultura Familiar, Povos Tradicionais e Economia Solidária, que sediou a palestra sobre desertificação, foi um dos pilares da III Feira da Agricultura Familiar, Povos Tradicionais e Economia Solidária do Piauí. Este grande evento, que durou quatro dias, transformou o Espaço Rosa dos Ventos da UFPI em um vibrante centro de troca de experiências e valorização da cultura local. Com mais de 300 expositores, a feira ofereceu uma vasta gama de produtos in natura diretamente do campo, evidenciando a diversidade e a riqueza da produção familiar piauiense. Além do comércio, a feira proporcionou um ambiente fértil para o intercâmbio de conhecimentos entre trabalhadores rurais, autoridades e líderes comunitários, consolidando-se como um espaço estratégico para o desenvolvimento regional.
Programação diversificada do Encontro e seus seminários
A programação do II Encontro foi meticulosamente elaborada para abordar as múltiplas facetas do desenvolvimento rural sustentável. O dia 2 de julho foi marcado pela abertura oficial com a secretária da Agricultura Familiar, Rejane Tavares, e autoridades, seguida pelo Seminário 1, focado no Encontro Estadual das Cozinhas Solidárias, com representantes do MDS, Cáritas, SASC e CONAB. À tarde, oficinas simultâneas abordaram temas como reflorestamento e sementes crioulas, certificação de produtos da agricultura familiar para acesso ao mercado, biocombustível social e o programa PAS NE.
Em 3 de julho, o Seminário 2 discutiu Ater e Extensão Rural, com a participação de SAF, SADA, BAHIATER, SENAR e CEAA. Paralelamente, ocorreu a Plenária Estadual da ARREPIA, visando o fortalecimento da rede de agroecologia no Piauí, e a defesa de dissertação de mestrado das quebradeiras de coco babaçu, destacando a pesquisa aplicada às realidades locais. A tarde foi dedicada a oficinas e rodas de conversa sobre tecnologias sociais para o Semiárido, economia solidária, o Selo Nacional da Agricultura Familiar (SENAF) e acesso a crédito rural, com a presença de BADESPI, BNB, Caixa e Banco do Brasil.
O dia 4 de julho, além do seminário sobre mudanças climáticas com Alexandre Pires, contou com oficinas sobre cooperativismo, sistemas agroalimentares e PAA-Compras Institucionais. Um dos pontos altos foi a roda de conversa “Mulheres Guardiãs: das matas, das águas, da terra e da vida”, reunindo quebradeiras de coco, lideranças indígenas, quilombolas, marisqueiras e agricultoras, promovendo um diálogo essencial sobre o papel feminino na conservação e sustentabilidade. O encerramento da III Feira, às 17h, apresentou um balanço dos três anos e meio de trabalhos da SAF, conduzido pela secretária Rejane Tavares.
Destaques da programação cultural
Para além dos debates e seminários, a feira ofereceu uma extensa e rica programação cultural, que celebrou a identidade e a diversidade artística do Piauí. No dia 3 de julho, o Palco Chica Lera recebeu as apresentações da banda Florais da Terra Quente e da Banda Roque Moreira, animando o público com ritmos locais. O grande encerramento, em 4 de julho, ficou por conta da renomada cantora Marina Elali & Banda Forró de Todos os Ritmos, que subiu ao Palco Chica Lera às 20h30, proporcionando um espetáculo inesquecível.
A programação cultural também incluiu grupos folclóricos tradicionais, como o Reisado Raimundo Branquim, o Bumba Meu Boi Riso da Floresta e o Lezeira do Mestre Naldinho, que encantaram os presentes com suas performances vibrantes. Violeiros, contadores de histórias e diversos outros artistas locais completaram a agenda, criando um ambiente de festa e valorização das raízes culturais do estado. A união de conhecimento, cultura e produtos da terra fez da III Feira da Agricultura Familiar um marco para o Piauí, reforçando o potencial da agricultura familiar e a riqueza dos povos tradicionais.
Fortalecimento da agricultura familiar e a resiliência climática no Piauí
O II Encontro da Agricultura Familiar e a III Feira da Agricultura Familiar, Povos Tradicionais e Economia Solidária consolidaram-se como eventos cruciais para o Piauí, articulando debates vitais sobre resiliência climática e desenvolvimento rural sustentável. A participação de especialistas como Alexandre Pires e a apresentação do programa Recaatingar destacaram a importância de iniciativas que buscam recuperar terras degradadas e fortalecer a capacidade produtiva das comunidades. O engajamento de diversos atores, desde agricultores familiares e povos tradicionais até gestores públicos e instituições financeiras, demonstrou um compromisso coletivo com a construção de um futuro mais sustentável para o Semiárido brasileiro. A troca de conhecimentos, a valorização da cultura local e o impulso à economia solidária reafirmam o papel central desses eventos na promoção de políticas e práticas que beneficiam diretamente as populações do campo, garantindo que o Piauí esteja na vanguarda da adaptação e mitigação dos efeitos das mudanças climáticas.
Perguntas frequentes
O que é o programa Recaatingar?
O Recaatingar é um programa do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) que visa recuperar 10 milhões de hectares de terras degradadas no bioma Caatinga ao longo de 20 anos. Seu objetivo é fortalecer a produção de alimentos, recuperar fontes de água e apoiar as populações que vivem na região, com um investimento inicial de R$ 60 milhões através de um edital do BNDES e Banco do Nordeste.
Quem é Alexandre Pires e qual sua relevância para o tema?
Alexandre Pires é biólogo, mestre em Extensão Rural e Desenvolvimento Local, e diretor de combate à desertificação na Secretaria Nacional de Povos e Comunidades Tradicionais e Desenvolvimento Rural Sustentável (SNPCT) do MMA. Ele é um especialista renomado na área, com vasta experiência em políticas públicas para adaptação climática e desenvolvimento rural sustentável, sendo uma referência nacional no combate à desertificação.
Onde e quando aconteceram o II Encontro e a III Feira da Agricultura Familiar no Piauí?
O II Encontro e a III Feira ocorreram de 1º a 4 de julho no Espaço Rosa dos Ventos, na Universidade Federal do Piauí (UFPI), em Teresina. A palestra de Alexandre Pires, parte do Encontro, foi realizada em 4 de julho, das 9h às 12h, no Cineteatro da UFPI.
Quais os principais objetivos do evento?
Os principais objetivos foram fortalecer a cadeia produtiva da agricultura familiar e dos povos tradicionais diante dos desafios climáticos, promover o intercâmbio de conhecimentos, apresentar soluções práticas para a resiliência do campo, valorizar a cultura local e impulsionar a economia solidária, além de debater e integrar políticas públicas para o desenvolvimento sustentável.
Para mais informações sobre o programa Recaatingar e futuras iniciativas de apoio à agricultura familiar e povos tradicionais, continue acompanhando as atualizações dos órgãos competentes. Participe e contribua para um futuro mais verde e resiliente no Semiárido!
Fonte: https://www.pi.gov.br