O Conselho de Justificação da Polícia Militar do Piauí (PM-PI) deliberou pela expulsão do tenente Alexandre Filipe Tupinambá Silva, em decisão divulgada nesta segunda-feira (3). O oficial, que enfrenta 17 acusações de naturezas diversas, incluindo homicídio, violência doméstica, furto e golpes financeiros, teve sua conduta considerada incompatível com os valores éticos e morais da corporação.
O Governo do Estado tem agora um prazo de 30 dias para analisar o parecer do Conselho e decidir se acata a recomendação de perda do posto e da patente do tenente.
Alexandre Filipe Tupinambá Silva foi preso em outubro do ano passado, sob suspeita de assassinar o caseiro José de Ribamar Pereira Osório, em abril de 2023. O oficial encontra-se detido no Presídio da Polícia Militar, na capital Teresina.
A investigação da Polícia Civil do Piauí aponta que o crime teria sido motivado por um seguro de vida de R$ 1,5 milhão, contratado em nome da vítima sem seu conhecimento. De acordo com o delegado Tales Gomes, diretor de Operações Policiais, o tenente teria indicado um advogado como beneficiário do seguro, mantendo a informação oculta de José de Ribamar e seus familiares. Após a morte do caseiro, um funcionário da seguradora procurou a família para dar andamento aos trâmites do seguro, surpreendendo a todos.
Ainda segundo o delegado Gomes, o tenente teria oferecido dinheiro a uma das filhas da vítima para que a família não comentasse sobre o seguro. Na noite do crime, Alexandre teria chamado José de Ribamar para ir a um sítio de sua propriedade, solicitando que ele não mencionasse o encontro a ninguém. A esposa do caseiro, preocupada com a demora do marido, dirigiu-se à propriedade e o encontrou morto.
As investigações revelaram que o tenente Alexandre Filipe Tupinambá Silva estava presente em Santo Inácio do Piauí no dia do crime. Ele também é acusado de ter adulterado a declaração de óbito de José de Ribamar, indicando parada cardiorrespiratória como causa da morte, quando, na verdade, a polícia suspeita de homicídio. Há indícios de que o tenente teria coagido funcionários do cartório para obter a alteração no documento, visando facilitar o recebimento do valor do seguro.
Além da acusação de homicídio, Alexandre é investigado por diversos outros crimes. Em 2023, ele foi preso por desobedecer ordens militares e furtar cheques da conselheira Flora Izabel, do Tribunal de Contas do Piauí, causando um prejuízo estimado em R$ 100 mil. Ele foi indiciado por estelionato e furto qualificado. O Ministério Público também o denunciou por desobediência à comandante da 2ª Companhia do Batalhão de Guardas e por não comparecer à abertura da investigação interna da Corregedoria da PM.
A Polícia Civil apura ainda o envolvimento do tenente em pelo menos dez golpes financeiros contra locadoras de veículos, além de acusações de violência doméstica, agressão e perseguição contra sua ex-esposa.
Fonte: g1.globo.com