PUBLICIDADE

NO RADAR: A Jogada cirúrgica de Marcus Kalume no tabuleiro de Uruçuí

Banner No Radar YouTube

O anúncio do PDT de Uruçuí, que fechou apoio à candidatura de Franzé Silva para deputado federal e ao médico Marcus Vinícius Kalume para deputado estadual, revela mais do que uma simples aliança municipal. Para alguns, pode parecer só mais um gesto partidário; para outros, é o avanço de uma estratégia milimetricamente calculada por Kalume para consolidar seu voto regionalizado no sul do Piauí. Em um estado onde o voto difuso derruba favoritos, esse tipo de movimento nunca é apenas casual.

A decisão unânime do PDT, liderado pelo ex-prefeito Sérvulo Carvalho, não surgiu do dia para a noite. O grupo agrega figuras tradicionais como Almeida e Edivaldo Lima ex-vereadores de cinco mandatos e ex-secretários municipais além de lideranças que, na última eleição, montaram uma chapa com dez candidatos a vereador e protagonizaram a disputa majoritária como vice na chapa do MDB. Quando um conjunto assim se posiciona, geralmente há mais elementos na equação do que o discurso oficial revela.

Ter esse bloco fechado com Kalume reforça a ideia de que o deputado está montando uma rede de sustentação sólida, embora essa solidez nem sempre seja explícita. A força não vem dos grandes centros, mas de cidades com densidade eleitoral e memória política lugares onde alianças valem mais do que jingles. É justamente nesses espaços que Kalume opera com mais naturalidade.

Ao associar sua pré-candidatura à de Franzé, Kalume aciona o velho e quase invisível mecanismo do voto casado. Não aparece nas manchetes, não vira debate, mas decide quocientes. Franzé ganha organização e entrada; Kalume, por sua vez, recebe o “empurrão quântico” do voto federal. E quando o eleitor não quer pensar demais, tende a repetir o mesmo pacote de escolhas.

Essa sincronia entre os dois, no entanto, carrega uma sutileza: Kalume não está apenas somando votos, mas neutralizando ameaças. Quando o PDT se posiciona, abre-se um corredor que reduz o espaço para adversários estaduais na região. Em política, ocupar território é tão importante quanto conquistar eleitores e às vezes uma aliança vale mais pela ausência que provoca do que pelo apoio que entrega.

Regionalizar o voto, nesse contexto, é menos sobre ganhar cidades e mais sobre impedir que outros se instalem nelas. É um jogo que parece simples, mas raramente é. Kalume atua com método, mapa e memória três elementos que nunca aparecem no material de campanha, mas que definem quem permanece no tabuleiro.

No fim das contas, o movimento de Uruçui reforça a percepção de que Marcus Kalume não está apenas disputando uma vaga; está disputando território político. Ele transforma apoios em logística eleitoral, converte lideranças em capital de voto e usa Franzé como multiplicador. Em um estado onde vitórias são sempre apertadas e fragmentadas, Kalume demonstra ter força, leitura e, sobretudo, aquilo que poucos admitem precisar: capilaridade real. E isso, no Piauí, vale mais do que qualquer slogan.

Prof. João Batista Cruz

Obs: Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões a partir da interpretação de fatos e dados. O conteúdo não reflete, necessariamente, a opinião do Portal Notícias de Floriano.

Leia mais

PUBLICIDADE

Anúncio não encontrado.