A periodontite tem despertado crescente preocupação entre autoridades médicas e profissionais da odontologia em todo o país. Essa inflamação crônica, que afeta os tecidos de suporte dos dentes, é uma das principais causas de perda dentária em adultos e idosos. Embora o Brasil ainda não possua dados exatos sobre a prevalência, estima-se que a periodontite seja uma condição comum, muitas vezes subestimada devido à sua evolução silenciosa. A doença compromete a gengiva, o osso alveolar e outras estruturas que mantêm os dentes firmemente ancorados na boca, exigindo intervenção precoce e atenção contínua para mitigar seus impactos devastadores na saúde bucal e sistêmica. Reconhecer os primeiros sinais é fundamental para evitar complicações graves e preservar a integridade dentária.
A ameaça silenciosa da periodontite
Compreendendo a periodontite: o que é e como surge
A etimologia da palavra “periodontite” já revela sua natureza e gravidade. O termo é composto por “perio”, que significa “ao redor”, “odonto”, referindo-se ao dente, e “ite”, que indica inflamação. Em suma, a periodontite é a inflamação dos tecidos que circundam e sustentam o dente. Esses tecidos incluem a gengiva, o ligamento periodontal (fibras que conectam o dente ao osso), o cemento (camada que reveste a raiz do dente) e o osso alveolar. A doença começa com o acúmulo de placa bacteriana, uma película pegajosa e incolor composta por bactérias, resíduos alimentares e saliva. Se não removida adequadamente, a placa se mineraliza, formando o cálculo dental, popularmente conhecido como tártaro. O tártaro e as bactérias presentes irritam a gengiva, levando à sua inflamação inicial, a gengivite. Se a gengivite não for tratada, a inflamação pode progredir, atingindo as estruturas mais profundas e dando início à periodontite, onde a destruição do osso e do ligamento periodontal se torna irreversível, resultando na formação de bolsas periodontais, reabsorção óssea e, eventualmente, na perda dos dentes.
Da gengivite à periodontite: sinais de alerta e progressão
Os primeiros sinais da periodontite geralmente se manifestam como uma gengivite, caracterizada por sintomas como vermelhidão, inchaço e sensibilidade da gengiva. O sangramento gengival, que pode ocorrer durante a escovação ou o uso do fio dental, é um dos alertas mais comuns e importantes. Embora nem toda gengivite evolua para periodontite, a presença recorrente de sangramento indica uma inflamação ativa que necessita de avaliação odontológica. No estágio de gengivite, a inflamação é reversível com uma higiene bucal adequada e limpeza profissional. No entanto, se ignorada, a gengivite pode progredir. A periodontite, por sua vez, muitas vezes avança de forma silenciosa e sutil nas fases iniciais, sem causar dor intensa. À medida que a doença se agrava, outros sintomas podem surgir, como mau hálito persistente (halitose), formação de bolsas periodontais (espaços entre a gengiva e o dente onde as bactérias se acumulam), recessão gengival (gengiva que se retrai, expondo a raiz do dente), mobilidade dentária, sensibilidade ao frio ou calor, dor ao mastigar e, em casos avançados, a presença de pus ao redor dos dentes e gengivas. A ausência de dor nos estágios iniciais é um fator crítico, pois leva muitos indivíduos a negligenciar o problema até que a doença esteja em um estágio avançado e mais difícil de controlar.
Fatores de risco e a importância da prevenção
Causas e elementos que favorecem a doença
A periodontite é uma doença multifatorial, ou seja, diversas causas e condições podem contribuir para seu desenvolvimento e progressão. Entre os fatores mais significativos, destaca-se a má higiene bucal, que permite o acúmulo de placa bacteriana e tártaro, criando um ambiente propício para a proliferação de bactérias patogênicas. Além disso, a predisposição genética desempenha um papel importante, tornando alguns indivíduos mais suscetíveis à inflamação e destruição óssea. A presença de colônias bacterianas específicas, como Porphyromonas gingivalis, Tannerella forsythia e Treponema denticola, é crucial, pois essas bactérias são particularmente agressivas e capazes de iniciar e manter o processo inflamatório.
Outros fatores de risco incluem o tabagismo, que compromete o sistema imunológico e a cicatrização dos tecidos; o diabetes não controlado, que aumenta a suscetibilidade a infecções e retarda a recuperação; estresse, que pode afetar a resposta imune; deficiências nutricionais; e o uso de certos medicamentos que podem reduzir o fluxo salivar. Fatores locais, como restaurações dentárias mal adaptadas ou dentes desalinhados, podem dificultar a higiene e favorecer o acúmulo de placa. A sobrecarga na mastigação, resultante de problemas oclusais ou bruxismo (ranger ou apertar os dentes), também pode agravar a condição, adicionando estresse aos tecidos periodontais já inflamados. Compreender esses fatores é essencial para uma abordagem preventiva e terapêutica eficaz, visando não apenas o tratamento local, mas também a gestão das condições sistêmicas que influenciam a saúde periodontal.
Estratégias essenciais para a prevenção e controle
A prevenção da periodontite é a chave para manter uma saúde bucal ideal e evitar as graves consequências da doença. A estratégia mais fundamental reside em uma higiene bucal rigorosa e consistente. Isso inclui a escovação adequada dos dentes, pelo menos duas vezes ao dia, com uma escova de cerdas macias e creme dental fluoretado, focando na remoção da placa bacteriana de todas as superfícies dentárias e da linha da gengiva. O uso diário do fio dental é igualmente crucial para limpar as áreas entre os dentes e abaixo da linha da gengiva, onde a escova não alcança. Produtos como escovas interdentais e enxaguantes bucais específicos podem complementar a rotina, mas nunca substituir a escovação e o fio dental.
Além da higiene doméstica, as visitas regulares ao consultório odontológico são indispensáveis. O dentista ou higienista pode realizar limpezas profissionais (profilaxia) para remover a placa e o tártaro acumulados, que são impossíveis de eliminar com a escovação e o fio dental. Essas consultas também permitem o diagnóstico precoce de gengivite ou periodontite incipiente, possibilitando a intervenção antes que a doença progrida. Em casos de periodontite já estabelecida, o tratamento varia conforme a gravidade. Pode envolver raspagem e alisamento radicular, um procedimento que remove o tártaro e a placa das superfícies radiculares e alisa as irregularidades para dificultar a adesão bacteriana. Em estágios mais avançados, pode ser necessária cirurgia periodontal para reduzir bolsas, regenerar tecidos perdidos ou realizar enxertos. É importante ressaltar que a periodontite não tem “cura” no sentido de erradicação completa, mas pode ser efetivamente controlada com tratamento contínuo e acompanhamento rigoroso, garantindo a preservação dos dentes e a manutenção da saúde geral. A gestão de fatores de risco sistêmicos, como o controle do diabetes e o abandono do tabagismo, também são componentes vitais do plano de tratamento e prevenção.
Ação contínua para uma saúde bucal duradoura
A periodontite representa um desafio significativo para a saúde pública, afetando milhões de pessoas e sendo uma das principais causas de perda dentária. Sua progressão silenciosa nas fases iniciais é um lembrete contundente da importância da vigilância e do cuidado contínuo. Compreender a doença, seus fatores de risco e a eficácia das medidas preventivas é crucial para a população. A combinação de uma higiene bucal meticulosa em casa e o acompanhamento profissional regular com o dentista são a linha de defesa mais robusta contra essa inflamação crônica. Ao adotar essas práticas, é possível controlar a periodontite, preservar a função mastigatória, a estética do sorriso e, fundamentalmente, contribuir para a saúde geral do indivíduo, prevenindo as conexões sistêmicas que a doença periodontal tem com outras condições de saúde.
Perguntas frequentes sobre periodontite
O que causa a periodontite?
A periodontite é principalmente causada pelo acúmulo de placa bacteriana e tártaro nos dentes e abaixo da linha da gengiva. Fatores como má higiene bucal, predisposição genética, tabagismo, diabetes e estresse também contribuem para o seu desenvolvimento.
A periodontite tem cura?
A periodontite não tem uma “cura” no sentido de erradicação completa e restauração total dos tecidos perdidos. No entanto, ela pode ser efetivamente controlada e gerenciada através de tratamento odontológico contínuo e rigorosa higiene bucal, prevenindo sua progressão e a perda de dentes.
Quais são os principais sintomas da periodontite avançada?
Em estágios avançados, a periodontite pode apresentar sintomas como mau hálito persistente, gengivas retraídas, dentes moles , formação de bolsas periodontais com pus, dor ao mastigar e, eventualmente, a perda de dentes.
Como posso prevenir a periodontite?
A prevenção envolve principalmente uma boa higiene bucal (escovação duas vezes ao dia, uso diário de fio dental), visitas regulares ao dentista para limpezas profissionais e exames, e a gestão de fatores de risco como tabagismo e diabetes.
A periodontite pode afetar a saúde geral?
Sim, a periodontite está associada a diversas condições de saúde sistêmicas, incluindo doenças cardiovasculares, diabetes mellitus, doenças respiratórias e complicações na gravidez, devido à inflamação crônica e à disseminação de bactérias da boca para outras partes do corpo.
Não espere os sintomas piorarem. Agende hoje mesmo uma consulta com seu dentista e invista na sua saúde bucal.
Fonte: https://www.al.pi.leg.br