Os técnicos administrativos em educação da Universidade Federal do Piauí (UFPI) e da Universidade Federal do Delta do Parnaíba (UFDPar) deflagraram uma greve por tempo indeterminado a partir desta segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026. A paralisação, que mobiliza a categoria em nível nacional, é motivada pela insatisfação com a falta de cumprimento de um acordo de greve firmado em 2024 e pela ausência de avanços concretos nas pautas de reivindicação. A decisão, tomada em assembleia geral pelo Sindicato dos Trabalhadores em Universidades Federais no Piauí (Sintufpi), marca um período de incertezas para a comunidade acadêmica, embora as instituições de ensino superior garantam a manutenção de serviços essenciais.
Motivações da paralisação
A greve dos técnicos administrativos em educação na UFPI e UFDPar não é um evento isolado, mas sim parte de um movimento mais amplo que reflete o descontentamento da categoria em todo o país. O Sindicato dos Trabalhadores em Universidades Federais no Piauí (Sintufpi) tem sido a voz principal por trás dessa mobilização, articulando as demandas e representando os interesses dos servidores. A decisão de entrar em greve por tempo indeterminado foi precedida por um período de negociações e tentativas de diálogo que, segundo o sindicato, não resultaram em progressos satisfatórios.
O acordo não cumprido e as pautas da categoria
Central para a deflagração da greve é a alegação do Sintufpi de que um acordo de greve, estabelecido em 2024, não foi integralmente cumprido pelas instâncias governamentais. A falta de concretização desse acordo gerou frustração e uma sensação de que as reivindicações da categoria estão sendo negligenciadas. Além disso, o sindicato aponta a ausência de avanços em outras pautas consideradas cruciais para os técnicos administrativos.
Entre as principais reivindicações da categoria, destacam-se:
Valorização da carreira: Os técnicos administrativos buscam um reconhecimento justo de suas qualificações e responsabilidades, com propostas de reestruturação da carreira que garantam salários compatíveis e melhores oportunidades de progressão. Argumenta-se que a atual estrutura não reflete a complexidade e a importância das funções desempenhadas no suporte às atividades de ensino, pesquisa e extensão.
Defesa da paridade e da gestão democrática na universidade: A categoria luta por uma maior participação nas decisões que afetam a vida universitária, promovendo um modelo de gestão mais democrático e transparente. Isso inclui a garantia de que as vozes dos técnicos administrativos sejam ouvidas e consideradas nos processos de formulação de políticas e planos institucionais.
Garantia de condições dignas de trabalho: A qualidade do ambiente de trabalho e a disponibilidade de recursos adequados são pontos cruciais. Os servidores reivindicam investimentos em infraestrutura, equipamentos e tecnologia, além de políticas que assegurem um ambiente de trabalho saudável e seguro, com condições ergonômicas e materiais necessários para o bom desempenho de suas funções.
Enfrentamento ao assédio: A luta contra todas as formas de assédio no ambiente de trabalho é uma prioridade. A categoria busca a implementação de mecanismos eficazes de prevenção, denúncia e punição, garantindo um ambiente de respeito e dignidade para todos os servidores.
O contexto nacional do movimento
É fundamental ressaltar que a greve dos técnicos administrativos da UFPI e UFDPar insere-se em um contexto de mobilização nacional da categoria. Movimentos semelhantes têm sido observados em outras universidades e institutos federais por todo o Brasil, com pautas de reivindicação que ecoam as demandas levantadas no Piauí. Essa amplitude nacional fortalece o movimento paredista, conferindo-lhe maior visibilidade e poder de pressão junto às autoridades competentes, na busca por soluções para os impasses enfrentados.
Impacto e funcionamento dos serviços
A paralisação dos técnicos administrativos tem implicações diretas no funcionamento das universidades, afetando diversas áreas e serviços essenciais. As reitorias da UFPI e da UFDPar, cientes do direito de greve dos trabalhadores, manifestaram-se sobre o assunto, buscando informar a comunidade acadêmica sobre as medidas adotadas para minimizar os impactos e garantir a continuidade de atividades consideradas indispensáveis.
Posicionamento das universidades
A Universidade Federal do Piauí (UFPI) informou que o movimento de greve possui abrangência nacional e que está avaliando possíveis ajustes e mudanças no funcionamento interno da instituição. O objetivo é compreender a extensão da paralisação e planejar as ações necessárias para manter as atividades essenciais em operação.
Por sua vez, a Universidade Federal do Delta do Parnaíba (UFDPar) emitiu um comunicado mais detalhado, reiterando o respeito ao direito constitucional de greve dos trabalhadores. A administração superior da UFDPar expressou seu compromisso com o diálogo institucional, a legalidade e a transparência, assegurando que o acompanhamento do movimento está sendo feito de perto.
Serviços essenciais garantidos
Para mitigar os transtornos à comunidade acadêmica, especialmente aos estudantes, a UFDPar detalhou quais serviços serão mantidos como essenciais durante o período da greve. Essa lista visa garantir que as demandas indispensáveis ao funcionamento institucional e à preservação do interesse público sejam atendidas. Os serviços incluem:
Restaurante Universitário: Fundamental para a segurança alimentar dos estudantes, especialmente aqueles em situação de vulnerabilidade socioeconômica, o Restaurante Universitário continuará operando para assegurar a oferta de alimentação à comunidade discente.
Laboratórios de ensino: Para evitar a interrupção das atividades acadêmicas práticas e a conclusão de projetos de pesquisa que dependem desses espaços, os laboratórios de ensino terão seu funcionamento garantido. Isso é crucial para cursos que exigem a aplicação prática do conhecimento.
Serviços de tecnologia da informação: Essenciais para a conectividade institucional, como a internet, e para a manutenção dos sistemas estruturantes, esses serviços serão resguardados. A continuidade da infraestrutura de TI é vital para o regular funcionamento administrativo e acadêmico da universidade, permitindo o acesso a plataformas e a comunicação interna e externa.
Desafios e particularidades no período da greve
A UFDPar destacou, ainda, algumas particularidades que demandam a continuidade de serviços técnicos especializados e que podem ser impactadas pela greve. O período de matrículas acadêmicas, especialmente as vinculadas ao Sistema de Seleção Unificada (SISU 2026), e o processo de implantação do novo Sistema Integrado de Gestão de Atividades Acadêmicas (SIGAA) são exemplos de atividades críticas. Da mesma forma, as atividades relacionadas ao pagamento de bolsas e à condução de processos seletivos para concessão de auxílios estudantis serão resguardadas, dado seu caráter essencial para a permanência e o êxito acadêmico dos estudantes. A interrupção desses serviços poderia comprometer o acesso e a permanência de muitos alunos na universidade.
Recomendações à comunidade acadêmica
Diante da possibilidade de impactos e alterações no funcionamento de setores administrativos e acadêmicos, a administração da UFDPar recomendou que a comunidade universitária – alunos, professores e demais servidores – acompanhe de perto os canais oficiais da universidade para obter atualizações contínuas de informações. Essa medida visa garantir que todos estejam cientes de quaisquer mudanças ou procedimentos emergenciais durante o período da greve.
Conclusão
A greve por tempo indeterminado dos técnicos administrativos da UFPI e UFDPar, iniciada em 23 de fevereiro de 2026, reflete um profundo descontentamento da categoria com a falta de cumprimento de acordos prévios e a ausência de progressos em pautas cruciais, como a valorização da carreira, condições de trabalho e combate ao assédio. Inserido em um movimento nacional, o ato paredista busca pressionar por negociações efetivas. Embora as universidades garantam a manutenção de serviços essenciais como o Restaurante Universitário e laboratórios, a comunidade acadêmica deve estar atenta a possíveis impactos. O Sintufpi reafirma a legitimidade do movimento, respaldado pela Constituição Federal, e a disposição para o diálogo, enquanto as reitorias se comprometem a acompanhar o cenário e manter a transparência, na esperança de que soluções sejam construídas para as reivindicações da categoria.
FAQ
Quais são as principais motivações para a greve dos técnicos administrativos?
A greve é motivada principalmente pelo não cumprimento de um acordo de greve firmado em 2024 e pela falta de avanços em pautas como a valorização da carreira, a defesa da gestão democrática, a garantia de condições dignas de trabalho e o enfrentamento ao assédio.
Quais serviços essenciais serão mantidos durante a paralisação na UFDPar?
A UFDPar assegura a manutenção do Restaurante Universitário, dos laboratórios de ensino e dos serviços de tecnologia da informação (internet e sistemas estruturantes). Além disso, serão resguardadas atividades relacionadas a matrículas (SISU 2026), implementação do SIGAA, pagamento de bolsas e auxílios estudantis.
Por quanto tempo a greve está prevista para durar?
A greve foi declarada por tempo indeterminado, o que significa que não há uma data final definida. Sua duração dependerá do andamento das negociações e da satisfação das reivindicações da categoria.
Como a comunidade acadêmica deve se informar sobre os impactos da greve?
A recomendação das universidades é que a comunidade acadêmica acompanhe os canais oficiais das instituições (sites, redes sociais) para obter atualizações contínuas e informações sobre o funcionamento dos setores administrativos e acadêmicos durante o período da paralisação.
Mantenha-se informado sobre os desdobramentos desta paralisação acompanhando os comunicados oficiais das universidades e do sindicato.
Fonte: https://g1.globo.com