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Feito em casa: um mergulho cultural em memória, poesia e música na

Assembleia Legislativa do Piauí
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Aos sábados, pontualmente às 14h30, a TV Alepi apresenta o programa “Feito em Casa”, uma iniciativa que convida o público a uma rica jornada de descobertas e reflexões. Sob a condução do professor Cineas Santos, a atração se consolida como um espaço privilegiado para o diálogo entre o pensamento crítico, a expressão artística e a identidade cultural do país. Com uma proposta inovadora, “Feito em Casa” transcende a mera exibição de conteúdo, oferecendo uma plataforma onde entrevistas aprofundadas, performances musicais e recitais literários se entrelaçam para valorizar diversas formas de expressão e fomentar debates essenciais sobre os alicerces históricos e culturais do Brasil, com foco em contribuições relevantes para o entendimento da sociedade contemporânea.

O legado de Clóvis Moura e os estudos afro-brasileiros

A contribuição marginalizada de um pensador piauiense

Uma das marcas registradas de “Feito em Casa” é a profundidade de suas discussões, evidenciada no quadro “Cadeira na Calçada”. Em uma edição recente, o apresentador Cineas Santos recebeu o professor Chrigor Libério, da Universidade Estadual do Piauí (UESPI), para um esclarecedor debate sobre a vasta e muitas vezes subestimada relevância do intelectual piauiense Clóvis Moura para os estudos afro-brasileiros. A conversa lançou luz sobre a magnitude da obra de Moura, um sociólogo, historiador e escritor que dedicou sua vida a decifrar as complexas engrenagens da sociedade brasileira, especialmente no que tange à formação da população negra e às consequências da escravidão.

Durante a entrevista, o professor Libério fez questão de sublinhar a contribuição pioneira de Clóvis Moura para a compreensão da escravidão no Brasil, desmistificando narrativas simplistas e oferecendo uma análise materialista e crítica das relações de poder e resistência. Moura não se limitou a descrever o cativeiro; ele investigou as estruturas sociais e econômicas que o sustentavam, bem como as múltiplas formas de insurreição e autonomia criadas pela população negra. Sua obra é fundamental para entender a formação da identidade afro-brasileira, as lutas por liberdade e reconhecimento, e as manifestações de religiosidade, que Moura interpretava não apenas como expressões de fé, mas também como poderosos veículos de organização social e resistência cultural frente à opressão.

Um ponto crucial abordado na conversa foi a triste realidade de que, por um período considerável, a obra de Clóvis Moura permaneceu à margem das leituras obrigatórias e dos currículos universitários, um reflexo do eurocentrismo e das hierarquias acadêmicas que historicamente desvalorizaram pensadores engajados com as questões raciais no Brasil. O programa, ao resgatar e celebrar seu legado, cumpre um papel vital na reparação histórica e na promoção de um cânone intelectual mais inclusivo. Adicionalmente, a entrevista salientou a dimensão regional desse legado, lembrando que Clóvis Moura nasceu em Amarante, Piauí, e, a partir de sua vivência e pesquisa, construiu uma reflexão de alcance nacional e internacional sobre a negritude, solidificando seu lugar como um dos maiores intelectuais brasileiros.

A fusão da arte e reflexão: da melodia à poesia concisa

A intimidade musical e a beleza dos haikais

Além das análises aprofundadas, “Feito em Casa” dedica um espaço significativo à sensibilidade artística, integrando-a de forma orgânica à sua proposta de valorização cultural. No quadro “Violão Convida”, o talentoso violonista Dam Bezerra assume o palco, não apenas como um músico, mas como um contador de histórias através de suas canções. Suas apresentações são cuidadosamente selecionadas para reforçar a atmosfera intimista e reflexiva do programa. Com acordes que variam da melancolia à esperança, Bezerra cria pontes sonoras que convidam o telespectador à introspecção e à apreciação da beleza intrínseca da música instrumental e cantada. A sonoridade de seu violão estabelece um diálogo sutil com os temas abordados nas entrevistas, proporcionando momentos de pausa contemplativa que enriquecem a experiência do público e demonstram a capacidade da arte de comunicar emoções e ideias sem a necessidade de palavras.

Em uma outra vertente artística, a poesia ganha destaque com a participação do quadro de Thiago E, que introduz os telespectadores ao fascinante universo dos poemas em estilo haikai. De origem japonesa, o haikai é uma forma poética singular, caracterizada por sua extrema brevidade e concisão. Tradicionalmente composto por apenas três versos, ele busca não apenas descrever, mas sugerir imagens e sensações, capturando um instante fugaz do cotidiano, a grandiosidade sutil da natureza ou a essência de uma emoção profunda com pouquíssimas palavras.

A escolha do haikai no programa “Feito em Casa” não é aleatória; ela ressoa diretamente com a proposta central da atração de transformar pequenas experiências e observações em momentos de profunda reflexão e beleza. Ao apresentar essa forma poética, Thiago E convida o público a um exercício de contemplação, mostrando como a economia de palavras pode, paradoxalmente, expandir o significado e a capacidade de evocar sentimentos. A fusão da literatura com a capacidade de observação e meditação que o haikai proporciona é um encontro que espelha o próprio espírito do programa: um convite constante à curiosidade intelectual e à apreciação estética.

A relevância cultural de “Feito em Casa” para o Piauí e o Brasil

O programa “Feito em Casa” transcende a função de mero entretenimento televisivo, firmando-se como uma plataforma vital para a educação cultural e o debate público. Ao exibir e analisar obras de intelectuais como Clóvis Moura e ao apresentar talentos artísticos locais e nacionais, a TV Alepi, por meio desta atração, contribui significativamente para a disseminação do conhecimento e para a valorização das múltiplas facetas da identidade brasileira. O programa não apenas informa, mas também inspira, provocando reflexões sobre a história, a sociedade e as diversas expressões artísticas que moldam a nação. Ele reforça a importância da memória coletiva e da produção intelectual regional, conectando o Piauí com discussões amplas e globais sobre cultura, arte e humanidade. Em tempos de vasta e muitas vezes superficial oferta de conteúdo, “Feito em Casa” emerge como um farol de conteúdo de qualidade, essencial para o enriquecimento intelectual e cultural de seus telespectadores.

Perguntas frequentes

Qual é o objetivo principal do programa “Feito em Casa”?
O programa “Feito em Casa” visa promover um diálogo aprofundado entre pensamento crítico, diversas formas de arte e a rica identidade cultural brasileira, valorizando expressões e ampliando debates sobre a formação histórica e cultural do país.

Quem é o apresentador do programa e quais temas são abordados?
O programa é comandado pelo professor Cineas Santos. Ele aborda temas que incluem discussões sobre o legado de importantes intelectuais, história afro-brasileira, literatura e música, sempre com foco em reflexão e beleza.

De que forma o programa aborda a cultura e a história afro-brasileira?
No quadro “Cadeira na Calçada”, o programa explora a relevância de intelectuais como Clóvis Moura para os estudos afro-brasileiros, destacando suas contribuições para a compreensão da escravidão, da população negra e das manifestações de religiosidade no Brasil.

Quais são os quadros artísticos apresentados e o que eles oferecem?
O programa apresenta o quadro “Violão Convida”, com o violonista Dam Bezerra, que oferece músicas para reforçar a atmosfera intimista. Há também o quadro com Thiago E, que explora a poesia em estilo haikai, promovendo a contemplação e a beleza das palavras concisas.

Não perca a próxima edição de “Feito em Casa” e mergulhe nesse universo de conhecimento e arte. Sintonize a TV Alepi aos sábados, às 14h30, para uma experiência cultural enriquecedora.

Fonte: https://www.al.pi.leg.br

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