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Justiça determina frota integral de ônibus nos picos em Teresina

G1
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A paralisação de ônibus em Teresina, que gerou transtornos significativos para a população na última segunda-feira (18), motivou uma rápida intervenção judicial. Em decisão proferida pelo Tribunal Regional do Trabalho da 22ª Região (TRT-22), ficou estabelecido que 100% da frota de ônibus deve operar durante os horários de pico na capital piauiense. A medida busca garantir a continuidade do serviço essencial de transporte público, que foi interrompido por motoristas e cobradores que reivindicam melhores condições de trabalho e reajustes salariais. O impasse entre a categoria e as empresas de ônibus levou à interrupção do serviço, afetando milhares de passageiros que dependem do transporte para suas atividades diárias. A determinação da Justiça do Trabalho visa mitigar os impactos das greves, assegurando que os cidadãos tenham acesso ao transporte em momentos cruciais do dia, enquanto as negociações seguem em busca de um consenso.

A determinação judicial e a garantia do serviço

Em uma tentativa de equilibrar o direito de greve dos trabalhadores com a necessidade pública de transporte, o desembargador-presidente do Tribunal Regional do Trabalho da 22ª Região (TRT-22), Téssio da Silva Tôrres, emitiu uma decisão que impõe regras rigorosas para a circulação dos ônibus. A medida, tomada na segunda-feira (18), estabelece percentuais mínimos de frota que devem ser mantidos, buscando minimizar os impactos das paralisações para a população de Teresina. A prioridade da decisão foi reestabelecer a normalidade do serviço, especialmente nos períodos de maior demanda.

Horários de pico e frota mínima

Conforme a determinação judicial, 100% da frota de ônibus deve estar em circulação nos horários considerados de pico. Estes períodos críticos foram definidos especificamente: de segunda a sexta-feira, o atendimento integral é obrigatório das 6h às 9h e das 17h às 20h. Aos sábados, os horários de pico com frota total são das 6h às 9h e das 12h às 15h. Fora desses horários de maior movimento, a decisão obriga a circulação de 80% da frota de ônibus, percentual que também deve ser cumprido integralmente aos domingos. Essa diferenciação visa adequar a oferta à demanda de passageiros, garantindo uma cobertura mínima contínua.

Para assegurar o cumprimento da ordem judicial, a Justiça fixou uma multa diária de R$ 50 mil em caso de descumprimento dos percentuais mínimos estabelecidos. Além disso, a multa será aplicada se houver qualquer bloqueio de garagens, retenção indevida de veículos ou constrangimento a trabalhadores que optarem por não aderir à paralisação. A medida visa proteger tanto o fluxo operacional do transporte quanto a liberdade individual dos funcionários. Imediatamente após a decisão, a circulação dos ônibus no centro da capital registrou normalidade já na manhã seguinte, indicando um acatamento inicial por parte dos envolvidos.

As reivindicações dos trabalhadores e a mesa de conciliação

A paralisação dos motoristas e cobradores de ônibus em Teresina é reflexo de um descontentamento prolongado com as condições de trabalho e os valores pagos à categoria. O Sindicato dos Trabalhadores Rodoviários do Piauí (Sintetro) tem sido a voz dos trabalhadores, buscando melhorias substanciais que, segundo eles, são essenciais para a dignidade profissional e para a qualidade do serviço prestado à população. As negociações têm sido complexas, com as partes defendendo suas posições em um cenário econômico desafiador para o setor de transporte público.

As demandas salariais e de infraestrutura da categoria

O Sintetro, por meio de seu secretário de comunicação, Cláudio Gomes, detalhou as principais reivindicações da categoria. Os motoristas e cobradores do transporte público de Teresina pleiteiam um reajuste salarial de 12%, além da atualização do tíquete-alimentação para R$ 950 e do auxílio-saúde para R$ 170. Segundo Gomes, a situação salarial dos motoristas de Teresina é uma das piores do país, com um salário base de apenas R$ 2.403. Ele também criticou a falta de climatização nos veículos e a situação dos cobradores e fiscais, que recebem apenas um salário mínimo e, de acordo com ele, enfrentam dificuldades adicionais com os percentuais de reajuste propostos pelas empresas.

O presidente do Sintetro, Antônio Cardoso, complementou as reivindicações, destacando a necessidade urgente de renovação da frota de ônibus e o aumento da quantidade de veículos em circulação. Ele alertou para a idade avançada de alguns ônibus, sendo os mais novos de 2018, e a insegurança que isso representa para passageiros e trabalhadores. Cardoso enfatizou que a busca por melhorias não é apenas para a categoria, mas visa, sobretudo, a segurança e o conforto dos usuários do transporte público. Diante do cenário de paralisação e da decisão judicial, o sindicato informou que suspendeu temporariamente o movimento, aguardando propostas concretas do TRT, da Prefeitura e das empresas. Uma audiência de conciliação fundamental foi agendada para a tarde da terça-feira seguinte à decisão judicial, reunindo representantes do Sintetro e do Sindicato das Empresas de Transportes Urbanos de Teresina (Setut) na sede do TRT-22, na Avenida João XXIII.

A posição das empresas e o impasse nas negociações

Enquanto os trabalhadores articulam suas reivindicações, as empresas de transporte, representadas pelo Sindicato das Empresas de Transportes Urbanos de Teresina (Setut), também apresentaram sua perspectiva sobre o impasse. A posição do Setut é crucial para a busca de uma solução que garanta a sustentabilidade do sistema de transporte público na capital. O diálogo entre as partes, mediado pela Justiça do Trabalho, é a via para superar as divergências e evitar novas paralisações que afetam diretamente a rotina da cidade.

Contrapropostas e a realidade do sistema de transporte

O Setut, em nota oficial, declarou-se aberto ao diálogo e às negociações com a categoria, porém ressaltou que essas discussões devem ocorrer “dentro dos parâmetros aceitáveis” para a manutenção e a viabilidade do sistema de transporte público. A entidade empresarial argumentou que as reivindicações apresentadas pelo sindicato laboral “destoam sobremaneira da realidade”, apontando para índices de reajuste considerados elevados. O Setut mencionou que as propostas de aumento para o tíquete-alimentação chegam a cerca de 46% e para o plano de saúde, a 36%. Quanto à correção salarial, o sindicato das empresas indicou que o índice solicitado é “três ou quatro vezes superior aos percentuais atuais”, sugerindo que tais aumentos são inviáveis no contexto financeiro atual do setor. Essa divergência nos percentuais e na percepção da realidade econômica do transporte público em Teresina constitui o cerne do impasse, dificultando a chegada a um acordo satisfatório para ambas as partes.

O impacto para a população e os próximos passos

A decisão da Justiça do Trabalho de Teresina, que garantiu a circulação de 100% da frota de ônibus em horários de pico, trouxe um alívio imediato para os usuários do transporte público, mas o conflito subjacente entre trabalhadores e empresas ainda persiste. A efetividade da medida judicial depende do acatamento contínuo das partes, enquanto as negociações buscam uma resolução definitiva para as demandas da categoria e a sustentabilidade do sistema. A audiência de conciliação programada é um passo crucial para desatar o nó das reivindicações salariais e de infraestrutura. A expectativa é que um acordo equilibrado possa ser alcançado, evitando futuras paralisações e assegurando um serviço de qualidade para os cidadãos de Teresina. A população aguarda ansiosamente por uma solução que garanta não apenas o cumprimento dos horários, mas também melhorias na frota e nas condições de serviço a longo prazo.

Perguntas frequentes (FAQ)

1. Qual foi a decisão da Justiça do Trabalho em Teresina sobre a paralisação dos ônibus?
A Justiça do Trabalho determinou que 100% da frota de ônibus deve circular nos horários de pico e 80% nos horários de entrepico e aos domingos, em Teresina.

2. Quais são as reivindicações dos motoristas e cobradores de ônibus?
A categoria reivindica um reajuste salarial de 12%, atualização do tíquete-alimentação para R$ 950 e do auxílio-saúde para R$ 170, além da renovação e aumento da frota de ônibus.

3. O que acontecerá se a frota mínima de ônibus não for cumprida?
A Justiça fixou uma multa diária de R$ 50 mil em caso de descumprimento dos percentuais mínimos de frota, bloqueio de garagens, retenção de ônibus ou constrangimento a trabalhadores que não aderirem à paralisação.

4. Quando será a audiência de conciliação entre as partes?
Uma audiência de conciliação entre o Sindicato dos Trabalhadores Rodoviários (Sintetro) e o Sindicato das Empresas de Transportes Urbanos (Setut) foi marcada para a tarde da terça-feira seguinte à decisão judicial, na sede do TRT-22.

Para se manter informado sobre a evolução das negociações e o impacto no transporte público de Teresina, acompanhe as atualizações em nosso portal de notícias.

Fonte: https://g1.globo.com

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