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Corso de Teresina: do recorde mundial ao segundo cancelamento consecutivo

G1
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O Corso de Teresina, um dos mais emblemáticos eventos carnavalescos do Piauí, enfrenta um momento de incerteza e ausência, com seu cancelamento pelo segundo ano consecutivo. Mais do que um simples desfile de carros decorados, o Corso de Teresina representa uma tradição quase centenária, enraizada na memória e na cultura da capital piauiense. Celebrado anualmente antes do Carnaval, o evento alcançou reconhecimento internacional em 2012 ao ser agraciado pelo Guinness Book, o livro dos recordes, como o maior desfile de carros abertos do mundo. Sua história, marcada por transformações, altos e baixos, reflete a própria evolução da cidade e a paixão de seus moradores pela folia.

A gênese e a evolução do corso

Primeiros anos: o charme familiar dos anos 30

A história do Corso de Teresina remonta à década de 1930, um período em que a chegada dos primeiros automóveis à capital piauiense transformava a paisagem urbana e os hábitos sociais. Foi nesse contexto de modernização e efervescência cultural que o costume de adornar carros e vestir fantasias criativas começou a ganhar forma, tornando-se um dos rituais do Carnaval teresinense. Inicialmente, o desfile tinha um caráter bastante familiar e comunitário. Famílias e amigos se reuniam, enfeitavam seus veículos com esmero e percorriam as ruas, sendo observados e celebrados pelos vizinhos que assistiam à passagem dos carros das portas de suas casas. A espontaneidade e a participação popular eram as marcas registradas desse início, criando um ambiente de alegria e confraternização que se consolidaria como parte essencial do calendário festivo da cidade. Era uma manifestação de rua que misturava a novidade do automóvel com a centenária tradição do Carnaval.

A expansão e a era dos caminhões decorados

Com o passar dos anos e o crescimento da cidade, o Corso começou a ganhar proporções maiores. No início da década de 1950, o evento já não era mais apenas um desfile de carros particulares, mas um fenômeno que atraía uma quantidade crescente de pessoas. A demanda por maior capacidade e visibilidade transformou os caminhões em protagonistas, sendo decorados de forma elaborada e criativa para transportar os foliões. Essa mudança marcou um ponto de virada, conferindo ao Corso uma escala mais grandiosa e um apelo popular ainda maior. Os temas para as decorações se tornavam cada vez mais audaciosos e os grupos de amigos e famílias investiam tempo e recursos para criar alegorias que se destacassem. O Corso se consolidava como uma prévia do Carnaval que arrastava multidões e mobilizava a criatividade local, transformando as ruas de Teresina em um palco para a imaginação e a festa coletiva.

Desafios, resiliência e o auge mundial

A concorrência das escolas de samba e o renascimento estratégico

A década de 1980 trouxe novos desafios para o Corso de Teresina. Com a ascensão e popularização dos desfiles das escolas de samba na capital, juntamente com o surgimento de outros blocos carnavalescos no centro da cidade, o Corso perdeu parte de seu protagonismo e visibilidade. A atenção dos foliões e da mídia se dividiu, e o tradicional desfile de carros enfeitados viu sua popularidade diminuir temporariamente. No entanto, a resiliência do evento e a visão estratégica da administração municipal garantiram seu renascimento. Em 1997, a Prefeitura de Teresina tomou uma decisão crucial: antecipar a realização do Corso para um final de semana anterior ao Carnaval oficial. Essa mudança estratégica o posicionou no sábado de Zé Pereira, criando um evento distinto e com identidade própria, que não competia diretamente com as demais celebrações carnavalescas. A medida se mostrou um sucesso retumbante, atraindo um número ainda maior de foliões e revitalizando a tradição, que recuperou seu brilho e se solidificou como um dos grandes atrativos da pré-folia.

O reconhecimento internacional e a apoteose de 2012

O ponto alto da história do Corso de Teresina ocorreu em 2012, quando o desfile alcançou um feito inédito e entrou para o Guinness Book, o livro dos recordes. Naquele ano, o evento foi oficialmente reconhecido como o maior desfile de carros enfeitados do planeta, um título que encheu de orgulho a população teresinense. A apoteose aconteceu na Avenida Raul Lopes, um dos principais corredores viários da cidade, que se transformou em um rio de cores, música e alegria. Mais de 340 veículos, meticulosamente decorados com os mais variados temas, desfilaram para uma multidão estimada em 40 mil foliões. A grandiosidade do espetáculo, a criatividade das decorações e a energia contagiante dos participantes e espectadores solidificaram o Corso não apenas como uma festa local, mas como um marco cultural de relevância global. Aquele ano ficou marcado na memória coletiva como o ápice de uma tradição que superou desafios e alcançou o topo.

O retorno pós-pandemia e a celebração de 2023

Após um período de interrupção forçada devido à pandemia da Covid-19, que impediu a realização do evento por dois anos, o Corso de Teresina fez um aguardado retorno em 2023. A expectativa era grande, e a resposta do público confirmou a paixão pela festa. O evento de 2023, embora em um formato ajustado, celebrou a resiliência e o desejo de reencontro. Vinte caminhões inscritos, cada um com sua decoração original e temática específica, voltaram a colorir as ruas. Entre os temas escolhidos pelos participantes, destacaram-se propostas como safári, reggae e até mesmo uma quadrilha junina organizada, demonstrando a diversidade cultural e a criatividade que sempre marcaram o Corso. Além dos desfiles dos caminhões, a festa contou com uma estrutura de três palcos equipados com 16 bandas, garantindo a animação musical para todos os gostos, além de atrações surpresa que abrilhantaram ainda mais a noite. O retorno em 2023 foi um testemunho da força e da importância do Corso para a identidade cultural de Teresina.

O cancelamento e o futuro incerto

A decisão da prefeitura e o impacto na tradição

A trajetória de resiliência e celebração do Corso de Teresina foi novamente abalada por anúncios recentes. Em janeiro de 2025, a prefeitura da capital informou que não seria possível destinar recursos para o financiamento das festividades de Carnaval e do Corso naquele ano. A decisão, que gerou debate e preocupação entre os foliões e setores culturais, foi seguida por um novo comunicado em 2026, confirmando a não realização do Corso pelo segundo ano consecutivo. Este segundo cancelamento impôs um hiato significativo na celebração de uma tradição quase centenária. Embora a prefeitura tenha anunciado a liberação de verbas para a estrutura de blocos de rua, buscando oferecer alternativas para a folia teresinense, a ausência do desfile de carros decorados é sentida como uma perda importante para a identidade do Carnaval local. A decisão levanta questões sobre o futuro do evento e as estratégias para a manutenção de tradições culturais tão enraizadas.

Perspectivas para a folia teresinense

O cancelamento do Corso de Teresina por dois anos consecutivos, apesar do apoio aos blocos de rua, sinaliza uma fase de adaptação e reflexão para a folia na capital piauiense. A interrupção de um evento que já foi recordista mundial e que mobilizava milhares de pessoas a cada ano cria um vácuo no calendário cultural da cidade. As perspectivas para o Carnaval de Teresina agora se voltam para a vitalidade dos blocos de rua, que assumem um papel ainda mais central na manutenção do espírito carnavalesco. Resta saber como a comunidade responderá a essa nova configuração e se, no futuro, as condições permitirão o retorno triunfal do Corso, um símbolo de criatividade, união e orgulho para Teresina, ou se a cidade precisará reinventar suas formas de celebrar essa paixão popular sem a presença marcante de seus famosos carros enfeitados. A memória do Guinness Book e de quase um século de história continua viva, alimentando a esperança de um novo capítulo para essa celebração única.

Perguntas frequentes

Por que o Corso de Teresina foi cancelado por dois anos consecutivos?
A prefeitura de Teresina informou que não seria possível financiar as festividades do Carnaval e do Corso. O anúncio foi feito em janeiro de 2025 para a edição daquele ano e reiterado em 2026, confirmando o cancelamento pelo segundo ano consecutivo.

Qual foi o grande feito do Corso de Teresina em 2012?
Em 2012, o Corso de Teresina entrou para o Guinness Book, o livro dos recordes, como o maior desfile de carros enfeitados do mundo. Na ocasião, contou com mais de 340 veículos e 40 mil foliões.

Quando o Corso de Teresina começou a ser realizado e como evoluiu?
O Corso teve início na década de 1930, com famílias decorando carros. Nos anos 50, ganhou força com a decoração de caminhões. Após um declínio nos anos 80, foi antecipado para o sábado de Zé Pereira em 1997, recuperando sua popularidade antes de atingir o auge em 2012.

O que a prefeitura de Teresina propôs como alternativa à não realização do Corso?
Apesar de não financiar o Corso, a prefeitura de Teresina anunciou que liberaria verbas para a estrutura de blocos de rua, buscando manter viva a tradição carnavalesca na cidade com outras manifestações.

Para se manter atualizado sobre o futuro do tradicional desfile de carros de Teresina e as celebrações carnavalescas na capital, acompanhe nossas próximas reportagens.

Fonte: https://g1.globo.com

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