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Operação “Cartão fantasma” mira Donos de maquininhas em fraude de cartões

G1
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A Polícia Civil do Piauí deflagrou a segunda fase da operação “Cartão Fantasma”, uma ação estratégica destinada a desmantelar um sofisticado esquema de fraude envolvendo compras realizadas pela internet com cartões de crédito obtidos de forma ilícita. Na manhã desta terça-feira (10), a operação resultou na prisão de três indivíduos em Teresina, especificamente na zona Sul da capital. O foco desta etapa foi os proprietários de máquinas de cartão fraudulentas, peças-chave na lavagem e movimentação dos valores resultantes das transações ilícitas. A investigação, coordenada pela Delegacia de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DRCC), conseguiu bloquear e sequestrar contas bancárias no montante de até R$ 150 mil, representando um significativo golpe financeiro contra a organização criminosa e um passo importante na proteção dos consumidores.

A complexa engenharia do crime e seus alvos

A organização criminosa por trás do esquema de fraude de cartões operava de maneira meticulosamente planejada, buscando não apenas obter acesso a dados financeiros, mas também simular transações comerciais para legitimar os valores e lesar as vítimas. A investigação revelou que o grupo cooptava indivíduos para interceptar cartões de crédito antes mesmo que eles chegassem aos seus legítimos destinatários. Essa etapa inicial, crucial para o sucesso da fraude, garantia que os criminosos tivessem controle total sobre os plásticos antes que as vítimas tivessem conhecimento de sua emissão ou ativação. Uma vez de posse dos cartões, a rede criminosa dava início à fase de utilização, que envolvia a realização de compras online e a posterior “passagem” desses cartões em máquinas fraudulentas.

O delegado Humberto Mácola, coordenador da DRCC, explicou que a estratégia criminosa envolvia a solicitação de cartões de crédito sem o consentimento ou autorização das vítimas. Uma vez emitidos e desviados, esses cartões eram usados em transações comerciais simuladas, nas quais os valores eram processados por meio de maquininhas controladas pela própria organização. O objetivo primário dessas transações fraudulentas era duplo: gerar prejuízo financeiro às vítimas, que se viam com faturas de compras que nunca realizaram, e, ao mesmo tempo, ocultar a origem ilícita dos valores obtidos, simulando uma atividade comercial legítima. A complexidade do esquema exigia uma coordenação entre os diversos elos da cadeia criminosa, desde os interceptadores dos cartões até os donos das máquinas que processavam as transações.

O modus operandi da organização criminosa

A obtenção fraudulenta dos cartões de crédito era o primeiro e fundamental pilar da operação. Os criminosos exploravam falhas em processos de entrega ou cooptação de terceiros para garantir que os cartões, emitidos por instituições financeiras, jamais chegassem às mãos dos titulares. Esse controle prévio permitia que a organização tivesse um período de tempo para utilizar os cartões antes que as vítimas percebessem a fraude, atrasando a reação e o bloqueio.

Com os cartões em mãos, a fase seguinte era a “lavagem” do dinheiro. Em vez de realizar compras diretas que poderiam ser facilmente rastreadas ou chamar atenção, o grupo optava por simular vendas em estabelecimentos comerciais fictícios ou coniventes. Nesses cenários, as máquinas de cartão eram operadas pelos próprios integrantes da organização ou por indivíduos recrutados para esse fim, os “donos de maquininhas”. Eles processavam valores elevados, creditando o dinheiro em contas bancárias associadas ao esquema. Essa metodologia dificultava a identificação das fraudes e conferia uma aparência de legitimidade às transações, transformando o dinheiro ilícito em recursos aparentemente legítimos. O prejuízo para as vítimas era imediato e muitas vezes complexo de reverter, exigindo longos processos de contestação junto aos bancos e, em muitos casos, impactando negativamente seu histórico financeiro.

A resposta policial e o desfecho das investigações

A operação “Cartão Fantasma” representa um esforço contínuo da Polícia Civil do Piauí para combater crimes cibernéticos e fraudes financeiras, que afetam um número crescente de cidadãos e a integridade do sistema bancário. A segunda fase da operação foi um desdobramento direto da primeira, que focou na prisão dos indivíduos responsáveis pela interceptação física dos cartões. Com base nas informações e evidências coletadas na etapa inicial, os investigadores conseguiram avançar na identificação e localização dos elos seguintes da cadeia criminosa, especificamente os operadores das máquinas fraudulentas.

As diligências desta fase foram concentradas em bairros da zona Sul de Teresina, culminando no cumprimento de sete mandados judiciais, que incluíam tanto ordens de prisão quanto de busca e apreensão. Estes mandados foram expedidos pelo Juiz da Central de Inquéritos, Dr. Valdemir Ferreira Santos, após análise detalhada do inquérito policial que documentava a atuação da organização criminosa. Além das três prisões efetuadas até o momento, as ações judiciais permitiram a aplicação de importantes medidas de bloqueio e sequestro de contas bancárias. O montante total bloqueado, de até R$ 150.000,00, é um indicativo da escala das operações da quadrilha e da efetividade da resposta policial em descapitalizar o grupo criminoso.

A articulação entre as fases da investigação

A estratégia investigativa da DRCC foi essencialmente modular, permitindo que a operação fosse desdobrada em fases complementares. Na primeira fase, a prioridade foi neutralizar o elo inicial do esquema: aqueles que fisicamente obtinham os cartões antes que chegassem aos seus titulares. Segundo o delegado Mácola, essa etapa inicial foi fundamental para “prender as pessoas que pegavam os cartões”. A partir das informações obtidas com essas prisões e apreensões, a polícia conseguiu traçar o caminho do dinheiro e identificar os próximos atores da rede criminosa.

A segunda fase, portanto, representou um avanço natural e necessário para desmantelar a estrutura completa. Ao focar nos “donos das máquinas”, os responsáveis por processar as transações simuladas, a Polícia Civil atacou o coração financeiro do esquema. Essa abordagem progressiva demonstra a complexidade de investigações contra organizações criminosas que utilizam a tecnologia para executar fraudes. O sucesso em ambas as fases não só retira indivíduos perigosos de circulação, mas também envia uma mensagem clara sobre a capacidade das forças de segurança em desvendar e combater crimes cibernéticos que evoluem constantemente. A continuidade dessas operações é vital para manter a segurança do ambiente digital e financeiro.

Conclusão

A operação “Cartão Fantasma” exemplifica o compromisso das autoridades policiais no enfrentamento a crimes cibernéticos cada vez mais sofisticados. A desarticulação de mais um elo de uma organização criminosa especializada na fraude de cartões de crédito, com a prisão de donos de maquininhas fraudulentas e o bloqueio de expressivos valores, é um marco importante na proteção dos consumidores e na integridade do sistema financeiro. A articulação em fases distintas da investigação, coordenada pela Delegacia de Repressão aos Crimes Cibernéticos, demonstra a capacidade de resposta e adaptação da polícia frente a novas modalidades criminosas, garantindo que os responsáveis sejam devidamente responsabilizados e que as vítimas tenham seus direitos resguardados. O combate a essas redes exige vigilância constante e aprimoramento das técnicas de investigação, assegurando que o ambiente digital não se torne um refúgio para atividades ilícitas.

FAQ

O que é a operação “Cartão Fantasma”?
É uma operação da Polícia Civil do Piauí, coordenada pela Delegacia de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DRCC), que visa desmantelar uma organização criminosa especializada em fraudes com cartões de crédito, obtidos e utilizados ilicitamente em compras pela internet.

Como a organização criminosa obtinha os cartões?
A organização cooptava pessoas para interceptar cartões de crédito antes que chegassem aos seus legítimos titulares, solicitando-os sem o conhecimento ou autorização das vítimas.

Qual o prejuízo financeiro evitado/bloqueado nesta fase da operação?
Nesta segunda fase da operação, foram bloqueadas e sequestradas contas bancárias no valor de até R$ 150.000,00, o que representa um impacto financeiro significativo para a organização criminosa.

Qual a diferença entre a primeira e a segunda fase da operação?
A primeira fase da operação “Cartão Fantasma” focou na prisão dos indivíduos responsáveis pela interceptação física dos cartões. Já a segunda fase, alvo desta reportagem, concentrou-se nos donos das máquinas de cartão fraudulentas, que processavam as transações simuladas e lavavam o dinheiro ilícito.

Mantenha-se vigilante e proteja seus dados financeiros para evitar ser vítima de fraudes. Em caso de atividades suspeitas, denuncie às autoridades.

Fonte: https://g1.globo.com

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