Uma família em Teresina vivenciou momentos de terror e, agora, de profundo alívio, após uma tentativa de sequestro de recém-nascida ocorrida na Nova Maternidade Dona Evangelina Rosa. O incidente, registrado na tarde da última segunda-feira, chocou a comunidade e levantou sérias questões sobre a segurança em ambientes hospitalares. A bebê, felizmente, foi recuperada e já está em casa com seus pais, trazendo um sopro de esperança e gratidão. A Polícia Civil do Piauí está conduzindo as investigações para elucidar os fatos e identificar os responsáveis por este ato audacioso. Uma técnica de enfermagem foi afastada de suas funções e é apontada como suspeita, enquanto a maternidade busca colaborar com as autoridades. A experiência deixou marcas profundas na família, que agora tenta se reerguer diante do trauma vivido.
O trauma familiar e a busca por respostas
A notícia do retorno da recém-nascida para casa trouxe um misto de emoções para a família. Marcos Lima, tio da bebê, expressou um grande alívio. “A sensação é de alívio”, afirmou, ponderando sobre a possibilidade de um desfecho muito pior. “Se a gente for pensar que nesse momento a gente poderia nem saber onde ela estava. A gente pode sorrir. Não poderíamos sorrir se tivesse acontecido o pior. Aconteceu, mas ela está aqui e bem com a gente”, declarou o familiar, ressaltando a gratidão pela recuperação da criança.
O relato da mãe e o abalo psicológico
Contudo, a mãe da recém-nascida, que preferiu não ter sua identidade revelada, revelou o profundo abalo psicológico sofrido por toda a família. Em seu relato, a jovem descreveu a surpresa e a incredulidade diante do ocorrido. “Meu psicológico está acabado. Minha cabeça está a mil, porque eu nunca pensei que isso ia acontecer. Sempre falavam que era uma maternidade segura, e eu pensei que estava segura lá”, desabafou.
A mãe detalhou que estava se recuperando do parto em seu quarto quando o incidente aconteceu. Sua irmã havia acompanhado a recém-nascida para a realização de exames de rotina. A mãe acordou sem entender a situação: “Eu não consegui dormir durante a noite porque ela chorou muito. Quando acordei, já vi uma mulher diferente com a bebê no colo e minha irmã chorando do lado de fora. Eu não estava entendendo nada. Ela nem queria me contar para eu não ficar pior, mas depois explicou tudo. Fiquei sem reação”, narrou.
Após a recuperação da bebê, a família foi encaminhada a uma sala da maternidade para atendimento psicológico. Durante a conversa com os profissionais, a mãe relatou que lhe foi pedido para “ajudar a maternidade”, uma solicitação que sua irmã considerou inadequada e prontamente interrompeu. A família também deixou a unidade por uma saída nos fundos, o que gerou a impressão de que a medida visava evitar o contato com a imprensa que aguardava na entrada principal. Além disso, a mãe afirmou que, desde a alta hospitalar, não houve contato da maternidade para prestar novos esclarecimentos e que o pedido da família para ter acesso às imagens das câmeras de segurança não foi atendido.
A investigação policial e as medidas da maternidade
A Polícia Civil do Piauí confirmou que o episódio está sendo investigado como tentativa de sequestro. A técnica de enfermagem apontada como suspeita de envolvimento no caso foi imediatamente afastada de suas funções pela maternidade, enquanto as autoridades buscam mais informações sobre o seu vínculo funcional e o possível envolvimento.
Polícia Civil apura o caso e a profissional afastada
O delegado Hugo Alcântara, responsável pelo caso, informou que “as diligências já estão em curso. A priori estamos tratando como tentativa de sequestro. A pessoa já está identificada e o vínculo funcional é que ainda estamos verificando para ter certeza”. Até o momento, a polícia não confirmou se a suspeita já prestou depoimento ou se é alvo de algum mandado judicial, mantendo o sigilo das investigações.
A Nova Maternidade Dona Evangelina Rosa (NMDER) emitiu uma nota oficial sobre o ocorrido. A instituição afirmou ter registrado um Boletim de Ocorrência na data do incidente e garantiu estar colaborando integralmente com as autoridades policiais, fornecendo todas as informações solicitadas, incluindo imagens do circuito interno de monitoramento. A maternidade assegurou que a mãe, o bebê e a acompanhante receberam todo o suporte da gestão da unidade, além de acolhimento e assistência pela equipe médica e acompanhamento multiprofissional através das equipes do Serviço Social e da Psicologia. Como medida administrativa, a profissional supostamente envolvida foi afastada de suas funções até a conclusão das investigações, cujos resultados subsidiarão a adoção das medidas administrativas e legais cabíveis. A NMDER reafirmou seu compromisso com a transparência, a segurança dos pacientes e a apuração rigorosa dos fatos, destacando que não divulgará outras informações no momento, em respeito ao andamento das investigações.
O Conselho Regional de Enfermagem do Piauí (Coren-PI) também se manifestou, informando que acompanhará com atenção as informações divulgadas sobre a suposta participação de uma profissional de enfermagem no caso. Diante da gravidade da situação relatada, o Coren-PI adotará as medidas cabíveis para apurar, com toda a seriedade, imparcialidade e observância ao devido processo legal, reafirmando seu compromisso com a ética, a legalidade e a segurança da assistência prestada à população. O Conselho destacou que eventuais condutas incompatíveis com o exercício da Enfermagem serão rigorosamente analisadas no âmbito de suas competências legais.
Consequências e a necessidade de segurança
A tentativa de sequestro da recém-nascida na maternidade de Teresina é um evento que abalou a confiança e a sensação de segurança que as famílias esperam encontrar em ambientes de saúde. Embora a sensação de alívio prevaleça na família da bebê pela sua recuperação segura, o trauma psicológico e as questões levantadas sobre a conduta da maternidade persistem. A investigação em curso pela Polícia Civil e o acompanhamento do Coren-PI são cruciais para a total elucidação dos fatos e para garantir que a justiça seja feita. Este incidente sublinha a imperiosa necessidade de revisão e reforço dos protocolos de segurança em todas as instituições de saúde, para que tragédias como esta sejam prevenidas e a confiança da população seja restaurada. A família agora busca superar o trauma e anseia por respostas claras e por responsabilização dos envolvidos.
Perguntas frequentes
Onde ocorreu a tentativa de sequestro da recém-nascida?
A tentativa de sequestro ocorreu na Nova Maternidade Dona Evangelina Rosa, localizada em Teresina, Piauí.
Quem é a principal suspeita no caso?
Uma técnica de enfermagem que atuava na maternidade foi afastada de suas funções e é apontada como suspeita de envolvimento no incidente. A Polícia Civil está investigando o caso.
Qual o estado emocional da família após o ocorrido?
Embora haja um grande alívio pela recuperação da bebê, a mãe e a família relataram estar profundamente abaladas psicologicamente pelo trauma vivido.
A maternidade está colaborando com as investigações?
Sim, a Nova Maternidade Dona Evangelina Rosa informou ter registrado um Boletim de Ocorrência e está colaborando integralmente com as autoridades policiais, fornecendo informações e imagens do circuito interno.
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Fonte: https://g1.globo.com