A tentativa de sequestro de uma recém-nascida na Nova Maternidade Dona Evangelina Rosa, em Teresina, capital do Piauí, desencadeou uma série de investigações que se aprofundam na dinâmica do crime e nas responsabilidades de diversos envolvidos. O caso, ocorrido em 6 de julho de 2026, chocou a população e levantou questionamentos sobre a segurança em ambientes hospitalares, especialmente em unidades de saúde de grande porte. Uma técnica de enfermagem foi presa sob suspeita de ser a autora da tentativa de sequestro, enquanto a tia da bebê também se tornou alvo de inquérito por suposta calúnia e difamação. Este artigo detalha os desdobramentos, motivações e o que ainda se busca esclarecer sobre este complexo episódio.
A dinâmica do crime e a principal suspeita
A investigação sobre a tentativa de sequestro revelou detalhes cruciais sobre como o crime foi orquestrado e quem seriam os principais envolvidos. O uso de câmeras de segurança foi fundamental para a reconstituição dos fatos, trazendo à tona a sequência de eventos que culminaram na intervenção da família da vítima.
O incidente na Maternidade Evangelina Rosa
A tarde de 6 de julho de 2026 foi marcada por momentos de tensão na Nova Maternidade Dona Evangelina Rosa, em Teresina. Imagens do circuito interno de segurança registraram a movimentação que levou à tentativa de subtração da recém-nascida. Conforme a Polícia Civil, a suspeita abordou a tia da bebê, oferecendo-se para levar a criança para a realização de exames rotineiros, como o teste da orelhinha e do pezinho.
Às 13h40, as câmeras mostram a suspeita pedindo que a tia aguardasse e, em seguida, levando a recém-nascida para uma sala. Dois minutos depois, às 13h42, a mulher deixou a sala sem o bebê, carregando uma bolsa preta de dimensões consideráveis. Em seguida, ela entrou em um banheiro. A vigilância da tia da bebê foi essencial: às 13h45, ela interceptou a mulher, puxou a bolsa e, para sua surpresa e desespero, encontrou a sobrinha em seu interior. As imagens também indicam que a suspeita havia trocado de roupa e soltado o cabelo, uma aparente tentativa de alterar sua aparência para evadir-se do local.
Motivação e perfil da técnica de enfermagem
A principal suspeita de tentar sequestrar a recém-nascida foi identificada como Auricélia de Sousa Rocha, uma técnica de enfermagem que trabalhava na maternidade há aproximadamente dois anos. No dia do crime, Auricélia estava de folga, o que levanta questões sobre o planejamento de sua ação. A linha de investigação mais forte da polícia aponta para a simulação de uma gravidez por parte da suspeita, que duraria meses.
A tese ganhou força com as descobertas feitas na residência de Auricélia. A polícia encontrou um quarto completamente preparado para receber um bebê, equipado com berço, banheira e fraldas, evidenciando uma preparação detalhada para a chegada de uma criança. Um ex-namorado da técnica de enfermagem chegou a prestar depoimento, afirmando que acreditava ser o pai do suposto bebê, confirmando a versão da gravidez simulada pela suspeita.
Desdobramentos da investigação e envolvimento de terceiros
O caso rapidamente ganhou repercussão, gerando reações da família da vítima, da instituição hospitalar e, consequentemente, das autoridades policiais e órgãos de fiscalização profissional. A complexidade do episódio se aprofundou com o indiciamento da tia da recém-nascida, que de vítima indireta passou a ser investigada por outros delitos.
Reações da família e da instituição
Após o ocorrido, a família da recém-nascida expressou sua indignação. A tia da bebê, Daniela Beatriz, utilizou as redes sociais para denunciar publicamente a tentativa de sequestro, expondo nomes e fotos tanto de Auricélia quanto de outros funcionários da maternidade. Ela alegou que o objetivo era dar visibilidade ao caso e auxiliar nas investigações, mas suas ações teriam consequências inesperadas. A família também relatou que uma psicóloga da maternidade teria pedido à mãe da recém-nascida para “ajudar a instituição” após o trauma, uma declaração que gerou desconforto.
A direção da maternidade, por sua vez, emitiu comunicados sobre o incidente. Inicialmente, o caso foi tratado como uma “tentativa de retirada irregular de recém-nascido”. Posteriormente, em uma nova nota, a instituição informou que os protocolos de segurança foram eficazes para impedir o sequestro, que um Boletim de Ocorrência foi registrado e que a profissional envolvida foi afastada de suas funções. O diretor José Alberto Alencar afirmou que a prioridade da maternidade foi o acolhimento da família antes mesmo da formalização da denúncia às autoridades.
Atuação das autoridades e novos indiciamentos
A Polícia Civil do Piauí conduz a investigação, tratando o caso como tentativa de sequestro e reforçando a hipótese de que Auricélia agiu sozinha. A Justiça decretou a prisão preventiva da técnica de enfermagem, que foi cumprida em 8 de julho, logo após ela receber alta de um hospital psiquiátrico onde estava internada. O Conselho Regional de Enfermagem (Coren-PI) agiu prontamente, suspendendo o registro profissional da investigada e abrindo um processo ético para apurar sua conduta.
Um desdobramento significativo da investigação foi a decisão da Polícia Civil de indiciar Daniela Beatriz, a tia da bebê, pelos crimes de calúnia e difamação qualificada. A motivação para o indiciamento reside no fato de Daniela ter utilizado as redes sociais para expor o nome e a foto de uma supervisora da maternidade, acusando-a de envolvimento no crime. A polícia confirmou que a profissional exposta não teve qualquer participação no caso, e a supervisora registrou queixa por danos à sua honra.
O que falta esclarecer
O inquérito policial, que estava previsto para ser concluído até a sexta-feira, 17 de julho, aguarda confirmação de sua finalização ou de uma possível prorrogação para novas oitivas e diligências. Além disso, a Justiça ainda deve decidir sobre o pedido de revogação da prisão preventiva de Auricélia, apresentado por sua defesa. Os advogados da técnica de enfermagem alegam que ela sofre de transtorno psicótico agudo, o que poderia influenciar a decisão judicial sobre sua permanência em custódia.
O futuro do caso e as lições aprendidas
A tentativa de sequestro na Maternidade Dona Evangelina Rosa expôs a vulnerabilidade de sistemas de segurança e a complexidade das relações humanas em momentos de fragilidade, como o nascimento de um bebê. O caso se desdobrou em múltiplas camadas, envolvendo não apenas o ato criminoso em si, mas também acusações secundárias que afetam a honra de terceiros. Enquanto a justiça busca desvendar todas as nuances e responsabilidades da técnica de enfermagem e da tia da recém-nascida, o episódio serve como um alerta para a constante necessidade de aprimoramento dos protocolos de segurança em hospitais e a importância da veracidade das informações divulgadas, especialmente em plataformas digitais. Acompanhar os desdobramentos é crucial para a compreensão plena deste lamentável incidente.
Perguntas frequentes sobre o caso
Quem são os principais envolvidos na tentativa de sequestro?
A técnica de enfermagem Auricélia de Sousa Rocha é a principal suspeita de tentar sequestrar a recém-nascida. A tia da bebê, Daniela Beatriz, também é investigada por calúnia e difamação qualificada contra uma supervisora da maternidade.
Qual a principal motivação atribuída à técnica de enfermagem?
A principal linha de investigação sugere que Auricélia simulava uma gravidez há meses. A polícia encontrou um quarto de bebê montado em sua casa, e um ex-namorado acreditava ser o pai de seu suposto filho.
Por que a tia da recém-nascida também está sendo investigada?
Daniela Beatriz está sendo investigada por ter utilizado as redes sociais para expor o nome e a foto de uma supervisora da maternidade, acusando-a falsamente de envolvimento no crime. A supervisora registrou queixa por danos à sua honra.
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Fonte: https://g1.globo.com